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Estudantes do Ensino Médio Integrado do IFSP partem para missão acadêmica na Argentina – IFSP

Programa de mobilidade internacional amplia número de participantes e promove atividades acadêmicas, tecnológicas e culturais

Neste sábado, 29 de agosto, estudantes dos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) iniciam mais uma experiência de internacionalização. O primeiro grupo da Missão Acadêmica Argentina 2026 parte de São Paulo com destino a Buenos Aires, onde permanecerá até 5 de setembro para uma intensa programação de atividades acadêmicas, tecnológicas, institucionais e culturais.

A iniciativa é desenvolvida pela Coordenadoria de Relações Internacionais (Arinter) do IFSP e chega, em 2026, à sua terceira edição consecutiva. Criado para ampliar as oportunidades de internacionalização destinadas especificamente aos estudantes da Educação Profissional e Tecnológica de nível médio, o programa teve Portugal como destino em 2024, o Chile em 2025 e, neste ano, a Argentina.

Mais do que a mudança de destino, a edição argentina representa a ampliação e a consolidação de uma iniciativa que começou, em 2024, com 11 estudantes e que, progressivamente, passou a alcançar um número maior de jovens e de campi.

Argentina

Ao todo, 38 estudantes participarão da Missão Argentina 2026.

Pela primeira vez, a missão será realizada em dois grupos e dois períodos distintos. O primeiro grupo viaja entre 29 de agosto e 5 de setembro e é formado por 19 estudantes do IFSP, acompanhados por três servidores da instituição. Os participantes são provenientes dos campi Avaré, Boituva, Ilha Solteira, Itapetininga, Matão, Piracicaba, São José do Rio Preto, Sertãozinho e Tupã.

O segundo grupo realizará a missão entre 26 de setembro e 3 de outubro, reunindo estudantes de Avaré, Campos do Jordão, Caraguatatuba, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Registro, Salto, São José dos Campos, São Miguel Paulista, São Paulo, São Roque, Sorocaba e Suzano.

A edição deste ano traz ainda quatro estudantes do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG). A presença do IFNMG amplia o alcance da experiência e fortalece a possibilidade de cooperação entre instituições da Rede Federal para o desenvolvimento de ações de internacionalização destinadas à Educação Profissional e Tecnológica.

É significativa a diversidade das áreas de formação. Entre os selecionados estão estudantes de cursos técnicos em Administração, Automação Industrial, Desenho de Construção Civil, Eletromecânica, Informática, Manutenção Automotiva, Mecânica, Mecânica Industrial, Mecatrônica, Química, Eletrônica, Eletrotécnica e Produção de Áudio e Vídeo, entre outras formações, na modalidade integrado ao ensino médio.

Essa diversidade é um dos elementos centrais da proposta. A missão busca proporcionar uma experiência internacional que dialogue com a amplitude da Educação Profissional e Tecnológica desenvolvida pelo IFSP e que permita aos estudantes de diferentes áreas terem contato com outras formas de organização da educação técnica, da universidade, da pesquisa, da tecnologia e da inovação.

Wagner Belo acredita que “neste sábado, quando o primeiro grupo deixar São Paulo com destino a Buenos Aires, cada estudante levará consigo mais do que sua bagagem pessoal; levará a representação de seu campus, de seu curso e da comunidade do Instituto Federal de São Paulo para uma semana de experiências que pretende aproximar educação, tecnologia, cultura, cooperação internacional e formação cidadã”. 

Imersão acadêmica e tecnológica

Na Argentina, os estudantes encontrarão uma programação construída para articular educação profissional, ciência, tecnologia, inovação, cultura e integração latino-americana.

Depois da chegada a Buenos Aires, o primeiro dia será dedicado ao reconhecimento da capital argentina e de seu patrimônio histórico e cultural. A partir de segunda-feira, começam as atividades acadêmicas.

O grupo terá dois dias de atividades no Instituto Nacional de Educación Tecnológica (INET), instituição argentina diretamente relacionada à Educação Técnico-Profissional. Os estudantes conhecerão a estrutura da instituição e participarão de atividades em laboratório.

Outro momento importante será a visita à Universidad Nacional de La Plata (UNLP). Na cidade de La Plata, os estudantes visitarão o Centro Tecnológico Aeroespacial e desenvolverão outras atividades na Faculdade de Engenharia. Após a programação acadêmica, o grupo terá a oportunidade de conhecer alguns dos espaços da cidade. 

A missão prevê ainda atividades na Escuela de Educación Secundaria Técnica nº 7 “Taller Regional Quilmes”, em Quilmes. A escola trabalha com formação técnica vinculada à área de aviação, oferecendo aos estudantes brasileiros a possibilidade de conhecer uma experiência argentina de articulação entre educação secundária e formação profissional.

As atividades acadêmicas serão finalizadas na Universidad Nacional de Hurlingham (UNAHUR), contemplando áreas como metalmecânica, energias renováveis e elétrica, biotecnologia e alimentos, aproximando os estudantes de diferentes ambientes de formação tecnológica e universitária.

A programação prevê ainda momentos de aproximação com a cultura argentina e latino-americana, reforçando a compreensão de que a experiência internacional também envolve conhecer outras sociedades, formas de organização, expressões culturais e realidades sociais.

Oportunidade

A criação do programa partiu da identificação de uma lacuna nas oportunidades de internacionalização existentes para os estudantes dos cursos técnicos integrados. Na primeira edição, em 2024, a Arinter apontava que grande parte das ações de mobilidade internacional disponíveis estava tradicionalmente direcionada aos estudantes do ensino superior. A proposta foi, portanto, construir uma iniciativa capaz de incorporar também os estudantes dos cursos técnicos integrados ao ensino médio às estratégias de internacionalização do Instituto.

Naquele primeiro ano, a procura evidenciou a demanda existente. Foram 567 estudantes inscritos, provenientes de mais de 30 campi, concorrendo a apenas 11 vagas. Os selecionados representavam 11 campi diferentes e permaneceram uma semana em Portugal, com atividades desenvolvidas em Lisboa, Porto e Braga.

A viabilização daquela primeira missão também exigiu a construção de uma estratégia específica de financiamento. A Arinter elaborou um projeto e buscou recursos externos, que custearam 65% das despesas da ação, enquanto os 35% restantes foram viabilizados pela Pró-Reitoria de Ensino do IFSP.

Desde o início, a proposta procurou diferenciar a mobilidade de uma simples viagem internacional. Os participantes da primeira edição desenvolveram um plano de trabalho para o aprimoramento de habilidades e competências e assumiram o compromisso de, após o retorno ao Brasil, compartilhar os conhecimentos e experiências adquiridos com a comunidade acadêmica do IFSP.

Chile — Em 2025, o Chile foi escolhido como destino e o número de estudantes participantes passou de 11 para 19 alunos dos cursos técnicos integrados, acompanhados por três servidores do IFSP.

Durante a missão, foram realizadas atividades em Santiago, Viña del Mar e Rancagua. Na Universidad Santo Tomás, os estudantes participaram de palestras, visitas a laboratórios, projetos e workshops relacionados a áreas como informática, mecânica, elétrica, eletrônica, manutenção industrial, turismo, hotelaria e gastronomia. Na Universidad de Chile, o grupo participou de discussões com professores e estudantes da Faculdade de Ciências Sociais sobre aspectos dos modelos educacional, social e econômico do país.

A experiência chilena também fortaleceu a preocupação com a disseminação dos resultados da mobilidade. Durante a viagem, os próprios estudantes produziram diariamente relatos e reflexões sobre as atividades realizadas, permitindo que a comunidade acadêmica acompanhasse a missão e tivesse acesso às experiências e aos aprendizados proporcionados pela ação.

Internacionalização como formação

Ao chegar à terceira edição, o programa reforça uma concepção de internacionalização que ultrapassa a mobilidade em si. A viagem constitui uma ferramenta para colocar os estudantes em contato com novos ambientes acadêmicos, tecnologias, metodologias, culturas e perspectivas profissionais, estimulando autonomia, capacidade de adaptação, comunicação, ampliação do repertório cultural e novas perspectivas sobre a continuidade de suas trajetórias acadêmicas e profissionais.

Para o coordenador de Relações Internacionais do IFSP, Wagner Belo, a continuidade do programa demonstra a possibilidade de ampliar o alcance da internacionalização para públicos que historicamente tiveram menos acesso às experiências de mobilidade. “Quando começamos a estruturar essa iniciativa, nossa preocupação era justamente mostrar que a internacionalização não deveria estar restrita à graduação e à pós-graduação. Temos no ensino médio Integrado estudantes de altíssimo desempenho, envolvidos com ensino, pesquisa, extensão, inovação e tantas outras atividades. São jovens que também precisam ter acesso às oportunidades e aos benefícios proporcionados pela internacionalização.”

A proposta parte do entendimento de que uma experiência internacional durante o Ensino Médio pode produzir impactos importantes não apenas sobre o desenvolvimento acadêmico imediato dos participantes, mas também sobre suas escolhas futuras, sua percepção sobre a continuidade dos estudos e sua capacidade de imaginar novos percursos acadêmicos e profissionais.

O primeiro grupo retorna ao Brasil em 5 de setembro. Em 26 de setembro, será a vez do segundo grupo iniciar sua experiência na Argentina, com retorno previsto para 3 de outubro.

Leia também: 2024 — Alunos dos cursos integrados do IFSP embarcam hoje para Portugal | 2025 — Estudantes do IFSP embarcam para intercâmbio no Chile